A mais maldita das heranças do PT
Mais brutal para o Partido dos Trabalhadores pode ser não a multidão que ocupou as ruas em 15 de março, mas aquela que já não sairia de casa para defendê-lo em dia nenhum
O maior risco para o PT, para além do Governo e do
atual mandato, talvez não seja a multidão que
ocupou as ruas do Brasil, mas a que não estava lá. São os que não
estavam nem no dia 13 de março, quando movimentos como
CUT, UNE e MST organizaram uma manifestação que, apesar de
críticas a medidas de ajuste fiscal tomadas pelo Governo, defendia a presidente
Dilma Rousseff. Nem estavam no já histórico domingo, 15 de março, quando centenas de milhares de pessoas aderiram aos protestos,
em várias capitais e cidades do país, em manifestações contra Dilma Rousseff
articuladas nas redes sociais da internet, com bandeiras que defendiam o fim da
corrupção, o impeachment da presidente e até uma aterradora, ainda que
minoritária, defesa da volta da ditadura. São os que já não sairiam de casa em
dia nenhum empunhando uma bandeira do PT, mas que também não atenderiam ao
chamado das forças de 15 de março, os que apontam que o partido perdeu a
capacidade de representar um projeto de esquerda – e gente de esquerda. É essa
herança do PT que o Brasil, muito mais do que o partido, precisará compreender.
E é com ela que teremos de lidar durante muito mais tempo do que o desse
mandato.
Tenho dúvidas sobre a tecla tão
batida por esses dias do Brasil polarizado. Como se o país
estivesse dividido em dois polos opostos e claros. Ou, como querem
alguns, uma disputa de ricos contra pobres. Ou, como querem outros, entre os
cidadãos contra a corrupção e os beneficiados pela corrupção. Ou entre os a
favor e os contra o Governo. Acho que a narrativa da polarização serve muito
bem a alguns interesses, mas pode ser falha para a interpretação da atual
realidade do país. Se fosse simples assim, mesmo com a tese do impeachment nas
ruas, ainda assim seria mais fácil para o PT.
Algumas considerações prévias. Se no segundo turno
das eleições de 2014, Dilma Rousseff
ganhou por uma pequena margem – 54.501.118 votos contra
51.041.155 de Aécio Neves –, não há dúvida de que ela ganhou. Foi
democraticamente eleita, fato que deve ser respeitado acima de tudo. Não existe
até esse momento nenhuma base
para impeachment, instrumento traumático e seríssimo que não pode
ser manipulado com leviandade, nem mesmo no discurso. Quem não gostou do
resultado ou se arrependeu do voto, paciência, vai ter de esperar a próxima
eleição. Os resultados valem também quando a gente não gosta deles. E tentar o
contrário, sem base legal, é para irresponsáveis ou ignorantes ou golpistas.
No resultado das
eleições ampliou-se a ressonância da tese de um país partido e
polarizado. Mas não me parece ser possível esquecer que outros 37.279.085
brasileiros não escolheram nem Dilma nem Aécio, votando nulo ou branco e, a
maior parte, se abstendo de votar. É muita gente – e é muita gente que não se
sentia representada por nenhum dos dois candidatos, pelas mais variadas razões,
à esquerda e também à direita, o que complica um pouco a tese da polarização.
Além das divisões entre os que se polarizariam em um lado ou outro, há mais
atores no jogo que não estão nem em um lado nem em outro. E não é tão fácil
compreender o papel que desempenham. No mesmo sentido, pode ser muito arriscado
acreditar que quem estava nos protestos neste domingo eram todos eleitores de Aécio Neves.
A rua é, historicamente, o território das incertezas – e do incontrolável.
Na tese do Brasil polarizado, onde ficam os mais de
37 milhões que não votaram nem em Dilma nem em Aécio?
Há lastro na realidade para afirmar também que uma
parte dos que só aderiram à Dilma Rousseff no segundo turno era composta por
gente que acreditava em duas teses amplamente esgrimidas na internet às
vésperas da votação: 1) a de que Dilma, assustada por quase ter perdido a eleição, em caso de
vitória faria “uma guinada à esquerda”, retomando antigas bandeiras
que fizeram do PT o PT; 2) a de votar em Dilma “para manter as conquistas sociais”
e “evitar o mal maior”, então representado por Aécio e pelo PSDB. Para estes,
Dilma Rousseff não era a melhor opção, apenas a menos ruim para o Brasil.
E quem pretendia
votar branco, anular o voto ou se abster seria uma espécie de
traidor da esquerda e também do país e do povo brasileiro, ou ainda um covarde,
acusações que ampliaram, às vésperas das eleições, a cisão entre pessoas que
costumavam lutar lado a lado pelas mesmas causas. Neste caso, escolhia-se
ignorar, acredito que mais por desespero eleitoral do que por convicção, que
votar nulo, branco ou se abster também é um ato político.
Faz sentido suspeitar que uma fatia significativa
destes que aderiram à Dilma apenas no segundo turno, que ou esperavam “uma
guinada à esquerda” ou “evitar o mal maior”, ou ambos, decepcionaram-se com o
seu voto depois da escolha de ministros como Kátia Abreu eJoaquim Levy,
à direita no espectro político, assim como com medidas que afetaram os direitos
dos trabalhadores. Assim, se a eleição fosse hoje, é provável que não votassem
nela de novo. Esses arrependidos à esquerda aumentariam o número de eleitores
que, pelas mais variadas razões, votaram em branco, anularam ou não
compareceram às urnas, tornando maior o número de brasileiros que não se sentem
representados por Dilma Rousseff e pelo PT, nem se sentiriam representados por
Aécio Neves e pelo PSDB.
Esses arrependidos à esquerda, assim como todos
aqueles que nem sequer cogitaram votar em Dilma Rousseff nem em Aécio Neves
porque se situam à esquerda de ambos, tampouco se sentem identificados com
qualquer um dos grupos que foi
para as ruas no domingo contra a presidente. Para estes, não existe
a menor possibilidade de ficar ao lado de figuras como o deputado
federal Jair Bolsonaro (PP) ou de defensores da ditadura
militar ou mesmo de Paulinho da Força. Mas também não havia nenhuma
possibilidade de andar junto com movimentos como CUT, UNE e MST, que para eles
“pelegaram” quando o PT chegou ao poder: deixaram-se cooptar e esvaziaram-se de
sentido, perdendo credibilidade e adesão em setores da sociedade que costumavam
apoiá-los.
Essa parcela da esquerda – que envolve desde
pessoas mais velhas, que historicamente apoiaram o PT, e muitos até que
ajudaram a construí-lo, mas que se decepcionaram, assim como jovens filhos desse
tempo, em que a ação política precisa ganhar horizontalidade e se construir de
outra maneira e com múltiplos canais de participação efetiva – não encontrou
nenhum candidato que a representasse. No primeiro turno, dividiram
seus votos entre os pequenos partidos de esquerda, como o PSOL, ou votaram em Marina Silva,
em especial por sua compreensão da questão ambiental como estratégica, num
mundo confrontado com a mudança climática, mas votaram com dúvidas. No segundo
turno, não se sentiram representados por nenhum dos candidatos.
Marina Silva foi quem chegou mais perto de ser uma
figura com estatura nacional de representação desse grupo à esquerda, mais em
2010 do que em 2014. Mas fracassou na construção de uma alternativa realmente
nova dentro da política partidária. Em parte por não ter conseguido registrar
seu partido a tempo de concorrer às eleições, o que a fez
compor com o PSB, sigla bastante complicadapara quem a apoiava, e
assumir a cabeça de chapa por conta de uma tragédia que nem o mais fatalista
poderia prever; em parte por conta da
campanha mentirosa e de baixíssimo nível que o PT fez contra
ela; em parte por equívocos de sua própria campanha, como a mudança do
capítulo do programa em que falava de sua política para os LGBTs,
recuo que, além de indigno, só ampliou e acentuou a desconfiança que muitos já
tinham com relação à interferência de sua fé evangélica em questões caras
como casamento homoafetivo e aborto; em parte porque escolheu ser
menos ela mesma e mais uma candidata que supostamente seria palatável para
estratos da população que precisava convencer. São muitas e complexas as
razões.
O que aconteceu com Marina Silva em 2014 merece uma
análise mais profunda. O fato é que, embora ela tenha ganhado, no primeiro
turno de 2014, cerca de 2,5 milhões de votos a mais do que em 2010, seu capital
político parece ter encolhido, e o partido que está construindo, a Rede
Sustentabilidade, já sofreu deserções de peso. Talvez ela ainda tenha chance de
recuperar o lugar que quase foi seu, mas não será fácil. Esse é um lugar vago
nesse momento.
Há uma parcela politizada, à esquerda, que hoje não
se sente representada nem pelo PT nem pelo PSDB, não participou de nenhum dos
panelaços nem de nenhuma das duas grandes manifestações dos últimos dias, a de 15 de março
várias vezes maior do que a do dia 13. É, porém, muito atuante
politicamente em várias áreas e tem grande poder de articulação nas redes
sociais. Não tenho como precisar seu tamanho, mas não é desprezível. É com essa
parcela de brasileiros, que votou em Lula e no PT por décadas, mas que deixou
de votar, ou de jovens que estão em movimentos horizontais apartidários, por
causas específicas, que apontam o que de fato deveria preocupar o PT, porque
esta era ou poderia ser a sua base, e foi perdida.
A parcela de esquerda que não bateria panelas
contra Dilma Rousseff, mas também não a defenderia, aponta a falência do PT em
seguir representando o que representou no passado. Aponta que, em algum
momento, para muito além
do Mensalão e da Lava Jato, o PT escolheu se perder da sua base
histórica, numa mistura de pragmatismo com arrogância. É possível que o PT
tenha deixado de entender o Brasil. Envelhecido, não da forma desejável,
representada por aqueles que continuam curiosos em compreender e acompanhar as
mudanças do mundo, mas envelhecido da pior forma, cimentando-se numa conjuntura
histórica que já não existe. E que não voltará a existir. Essa aposta arriscada
precisa que a economia vá sempre bem; quando vai mal, o chão desaparece.
Fico perplexa quando lideranças petistas, e mesmo
Lula, perguntam-se, ainda que retoricamente, por que perderam as ruas. Ora,
perderam porque o PT gira em falso. O partido das ruas perdeu as ruas – menos
porque foi expulso, mais porque se esqueceu de caminhar por elas. Ou, pior,
acreditou que não precisava mais. Nesse contexto, Dilma Rousseff é só a
personagem trágica da história, porque em algum momento Lula, com o aval
ativo ou omisso de todos os outros, achou que poderia eleger uma
presidente que não gosta de fazer política. Estava certo a curto prazo, podia.
Mas sempre há o dia seguinte.
Não adianta ficar repetindo que só bateu panela
quem é da elite. Pode ter sido maior o barulho nos bairros nobres de
São Paulo, por exemplo, mas basta um pequeno esforço de reportagem para
constatar que houve batuque de panelas também em bairros das periferias. Ainda
que as panelas batessem só nos bairros dos ricos e da classe média, não é um
bom caminho desqualificar quem protesta, mesmo que você ou eu não concordemos
com a mensagem, com termos como “sacada gourmet” ou “panelas Le Creuset”. Todos
têm direito de protestar numa democracia e muitos dos que ridicularizam quem
protestou pertencem à mesma classe média e talvez tenham uma ou outra panelinha
Le Creuset ou até pagou algumas prestações a mais no apartamento para ter uma
sacada gourmet, o que não deveria torná-los menos aptos nem a protestar nem a
criticar o protesto.
Nos panelaços, só o que me pareceu inaceitável foi chamar a
presidente de “vagabunda” ou de “vaca”, não apenas porque é
fundamental respeitar o seu cargo e aqueles que a elegeram, mas também porque
não se pode chamar nenhuma mulher dessa maneira. E, principalmente, porque o
“vaca” e o “vagabunda” apontam a quebra do pacto civilizatório. É nesses
xingamentos, janela a janela, que está colocado o rompimento dos limites, o
esgarçamento do laço social. Assim como, no domingo de 15 de março, essa
ruptura esteve colocada naqueles que defendiam a volta da ditadura. Não há
desculpa para desconhecer que o regime civil militar que dominou o Brasil pela força por
21 anos torturou gente,
inclusive crianças, e matou gente. Muita gente. Assim, essa defesa é
inconstitucional e criminosa. Com isso, sim, precisamos nos preocupar, em vez
de misturar tudo numa desqualificação rasteira. É urgente que a esquerda faça
uma crítica (e uma autocrítica) consistente, se quiser ter alguma importância
nesse momento agudo do país.
Tão ou mais
importante do que a corrupção, que não foi inventada pelo PT no Brasil, é o
fato de o partido ter traído algumas de suas bandeiras de identidade
Também não adianta continuar afirmando que quem foi
para as ruas é aquela fatia da população que é contra as conquistas sociais
promovidas pelo governo Lula, que tirou da
miséria milhões de brasileiros e fez com que outros milhões
ascendessem ao que se chamou de classe C. Pessoas as quais é preciso respeitar
mais pelo seu passado do que pelo seu presente ficaram repetindo na última
semana que quem era contra o PT não gostava de pobres nos aeroportos ou
estudando nas universidades, entre outras máximas. É fato que existem pessoas
incomodadas com a mudança histórica que o PT reconhecidamente fez, mas dizer
que toda oposição ao PT e ao Governo é composta por esse tipo de gente, ou é
cegueira ou é má fé.
Num momento tão acirrado, todos que têm expressão
pública precisam ter muito mais responsabilidade e cuidado para não aumentar
ainda mais o clima de ódio – e disseminar preconceitos já se provou um caminho
perigoso. Até a negação deve ter limites. E a negação é pior não para esses
ricos caricatos, mas para o PT, que já passou da hora de se olhar no espelho
com a intenção de se enxergar. De novo, esse discurso sem rastro na realidade
apenas gira em falso e piora tudo. Mesmo para a propaganda e para o marketing,
há limites para a falsificação da realidade. Se é para fazer publicidade, a boa
é aquela capaz de captar os anseios do seu tempo.
É também por isso que me parece que o grande
problema para o PT não é quem foi para as ruas no domingo, nem quem bateu
panela, mas quem não fez nem uma coisa nem outra, mas também não tem a menor
intenção de apoiá-lo, embora já o tenha feito no passado ou teria feito hoje se
o PT tivesse respeitado as bandeiras do passado. Estes apontam o que o PT
perdeu, o que já não é, o que possivelmente não possa voltar a ser.
O PT traiu algumas de suas bandeiras de identidade,
aquelas que fazem com que em seu lugar seja preciso colocar máscaras que não se
sustentam por muito tempo. Traiu não apenas por ter aderido à corrupção, que
obviamente não foi inventada por ele na política brasileira, fato que não
diminui em nada a sua responsabilidade. A sociedade brasileira, como qualquer
um que anda por aí sabe, é corrupta da padaria da esquina ao Congresso. Mas ser
um partido “ético” era um traço forte da construção concreta e simbólica do PT,
era parte do seu rosto, e desmanchou-se. Embora ainda existam pessoas que
merecem o máximo respeito no PT, assim como núcleos de resistência em
determinadas áreas, secretarias e ministérios, e que precisam ser reconhecidos
como tal, o partido traiu causas de base, aquelas que fazem com que se
desconheça. Muitos dos que hoje deixaram de militar ou de apoiar o PT o fizeram
para serem capazes de continuar defendendo o que o PT acreditava. Assim como
compreenderam que o mundo atual exige interpretações mais complexas. Chamar a
estes de traidores ou de fazer o jogo da direita é de uma boçalidade
assombrosa. Até porque, para estes, o PT é a direita.
A parcela à esquerda que preferiu ficar fora de
manifestações a favor ou contra lembra que tão importante quando discutir a corrupção na Petrobras é
debater a opção por combustíveis fósseis que a Petrobras representa, num
momento em que o mundo precisa reduzir radicalmente suas emissões de gases do
efeito estufa. Lembra que estimular a compra de carros como o Governo federal
fez é contribuir com o transporte privado individual motorizado, em vez de
investir na ampliação do transporte público coletivo, assim como no uso das
bicicletas. É também ir na contramão ao piorar as condições ambientais e de
mobilidade, que costumam mastigar a vida de milhares de brasileiros confinados
por horas em trens e ônibus lotados num trânsito que não anda nas grandes
cidades. Lembra ainda que estimular o consumo de energia elétrica, como o
Governo fez, é uma irresponsabilidade não só econômica, mas socioambiental, já
que os recursos são caros e finitos. Assim como olhar para o colapso da água
visando apenas obras emergenciais, mas sem se preocupar com a mudança
permanente de paradigma do consumo e sem se preocupar com o desmatamento tanto
da floresta amazônica quanto do Cerrado quanto das nascentes do Sudeste e dos
últimos redutos sobreviventes de Mata Atlântica fora e dentro das cidades é um
erro monumental a médio e a longo prazos.
Os que não bateram panelas contra o PT e que não
bateriam a favor lembram que a forma de ver o país (e o mundo) do lulismo pode
ser excessivamente limitada para dar conta dos vários Brasis. Povos
tradicionais e povos indígenas, por exemplo, não cabem nem na categoria
“pobres” nem na categoria “trabalhadores”. Mas, ao fazer grandes hidrelétricas
na Amazônia, ao ser o governo de Dilma Rousseff o que menos demarcou terras
indígenas, assim como teve desempenho pífio na criação de reservas
extrativistas e unidades de conservação, ao condenar os povos tradicionais ao
etnocídio ou à expulsão para a periferia das cidades, é em pobres que são
convertidos aqueles que nunca se viram nesses termos. Em parte, a construção
objetiva e simbólica de Lula – e sua forma de ver o Brasil e o mundo – encarna
essa contradição (escrevi sobre
isso aqui), que o PT não foi capaz nem quis ser capaz de superar no
poder. Em vez de enfrentá-la, livrou-se dos que a apontavam, caso de Marina
Silva.
O PT no Governo priorizou um projeto de
desenvolvimento predatório, baseado em grandes obras, que deixou toda a
complexidade socioambiental de fora. Escolha inadmissível num momento em que a
ação do homem como causa do aquecimento global só é descartada por uma minoria
de céticos do clima, na qual se inclui o atual ministro de Ciência e
Tecnologia, Aldo Rebelo, mais uma das inacreditáveis escolhas de Dilma
Rousseff. A síntese das contradições – e também das traições – do PT no poder
não é a Petrobras, mas Belo Monte.
Sobre a usina hidrelétrica já pesa a denúncia de que só a construtora Camargo Corrêa teria pagado mais de R$ 100 milhões em
propinas para o PT e para o PMDB. É para Belo Monte que o país
precisaria olhar com muito mais atenção. É na Amazônia, onde o PT reproduziu a
visão da ditadura ao olhar para a floresta como um corpo para a exploração, que
as fraturas do partido ao chegar ao poder se mostram em toda a sua inteireza. E
é também lá que a falácia de que quem critica o PT é porque não gosta de pobre
vira uma piada perversa.
A sorte do PT é que a Amazônia é longe para a
maioria da população e menos contada pela imprensa do que deveria, ou contada a
partir de uma visão de mundo urbana que não reconhece no outro nem a diferença
nem o direito de ser diferente. Do contrário, as barbaridades
cometidas pelo PT contra os trabalhadores pobres, os povos
indígenas e as populações tradicionais, e contra uma floresta estratégica para
o clima, para o presente e para o futuro, seriam reconhecidas como o escândalo
que de fato são. É também disso que se lembram aqueles que não gritaram contra
Dilma Rousseff, mas também não a defenderiam.
Lembram também que o PT não fez a reforma agrária;
ficou aquém na saúde e na educação, transformando “Brasil, Pátria
Educadora”num slogan natimorto; avançou muito pouco numa política
para as drogas que vá além da proibição e da repressão, modelo que encarcera
milhares de pequenos traficantes num sistema prisional sobre o qual o ministro da
Justiça, José Eduardo Cardozo, já disse que “prefere morrer a
cumprir pena”; cooptou grande parte dos movimentos sociais (que se deixaram
cooptar por conveniência, é importante lembrar); priorizou a inclusão social
pelo consumo, não pela cidadania; recuou em questões como o kit anti-homofobia
e o aborto; se aliou ao que havia de mais viciado na política brasileira e aos
velhos clãs do coronelismo, como os Sarney.
Isso é tão ou mais importante do que a corrupção,
sobre a qual sempre se pode dizer que começou bem antes e atravessa a maioria
dos partidos, o que também é verdade. Olhar com honestidade para esse cenário
depois de mais de 12 anos de governo petista não significa deixar de reconhecer
os enormes avanços que o PT no poder também representou. Mas os avanços não
podem anular nem as traições, nem os retrocessos, nem as omissões, nem os
erros. É preciso enfrentar a complexidade, por toda as razões e porque ela diz
também sobre a falência do sistema político no qual o país está atolado, para
muito além de um partido e de um mandato.
Há algo que o PT sequestrou de pelo menos duas
gerações de esquerda e é essa a sua herança mais maldita. E a que vai marcar
décadas, não um mandato. Tenho entrevistado pessoas que ajudaram a construir o
PT, que fizeram dessa construção um projeto de vida, concentradas em lutas
específicas. Essas pessoas se sentem traídas porque o partido rasgou suas
causas e se colocou ao lado de seus algozes. Mas não traídas como alguém de 30
anos pode se sentir traído em seus últimos votos. Este tem tempo para construir
um projeto a partir das novas experiências de participação política que se
abrem nesse momento histórico muito particular. Os mais velhos, os que
estiveram lá na fundação, não. Estes sentem-se traídos como alguém que não tem
outra vida para construir e acreditar num novo projeto. É algo profundo e
também brutal, é a própria vida que passa a girar em falso, e justamente no
momento mais crucial dela, que é perto do fim ou pelo menos nas suas últimas
décadas. É um fracasso também pessoal, o que suas palavras expressam é um
testemunho de aniquilação. Algumas dessas pessoas choraram neste domingo,
dentro de casa, ao assistir pela TV o PT perder as ruas, como se diante de um
tipo de morte.
O sequestro dos
sonhos de pelo menos duas gerações de esquerda é a herança mais maldita do PT,
ainda por ser desvendada em toda a sua gama de sentidos para o futuro
O PT, ao trair alguns de seus ideias mais caros,
escavou um buraco no Brasil. Um bem grande, que ainda levará tempo para virar
marca. Não adianta dizer que outros partidos se corromperam, que outros
partidos recuaram, que outros partidos se aliaram a velhas e viciadas raposas
políticas. É verdade. Mas o PT tinha um lugar único no espectro partidário da
redemocratização, ocupava um imaginário muito particular num momento em que se
precisava construir novos sentidos para o Brasil. Era o partido “diferente”.
Quem acreditou no PT esperou muito mais dele, o que explica o tamanho da dor
daqueles que se desfiliaram ou deixaram de militar no partido. A decepção é
sempre proporcional à esperança que se tinha depositado naquele que nos
decepciona.
É essa herança que precisamos entender melhor, para
compreender qual é a profundidade do seu impacto no país. E também para pensar
em como esse vácuo pode ser ocupado, possivelmente não mais por um partido,
pelo menos não um nos moldes tradicionais. Como se sabe, o vácuo não se mantém.
Quem acredita em bandeiras que o PT já teve precisa parar de brigar entre si –
assim como de desqualificar todos os outros como “coxinhas” – e encontrar
caminhos para ocupar esse espaço, porque o momento é limite. O PT deve à
sociedade brasileira um ajuste de contas consigo mesmo, porque o discurso dos
pobres contra ricos já virou fumaça. Não dá para continuar desconectado com a
realidade, que é só uma forma estúpida de negação.
Para o PT, a herança mais maldita que carrega é o silêncio daqueles que
um dia o apoiaram, no momento em que perde as ruas de forma apoteótica. O PT
precisa acordar, sim. Mas a esquerda também.
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DOM QUIXOTE E O FOLIÃO - Por Luiz Antônio Simas
Miguel de Cervantes tentou, com o seu Dom Quixote de La Mancha, satirizar os romances de cavalaria medievais. Acabou produzindo uma poderosa metáfora dos sonhos humanos, suas grandezas e misérias, além de escrever o livro mais engraçado que li. O orixá Dorival Caymmi dizia que o Quixote é uma espécie de Bíblia Sagrada. Como Caymmi nunca errou, eu acredito e rezo seu credo no Carnaval que se aproxima.
Se algum dia alguém resolvesse escrever uma versão brasileira do Quixote, não tenho dúvidas de que o nosso cavaleiro da triste figura deveria ser representado pelo folião do Bloco do Eu Sozinho. É isso mesmo: sempre que penso em um Quixote brasileiro, imagino aquele sujeito que vestiu a sua fantasia e saiu às ruas no Carnaval rigorosamente solitário, no máximo na companhia de desajeitados escudeiros catados por acaso em alguma esquina.
Se algum dia alguém resolvesse escrever uma versão brasileira do Quixote, não tenho dúvidas de que o nosso cavaleiro da triste figura deveria ser representado pelo folião do Bloco do Eu Sozinho. É isso mesmo: sempre que penso em um Quixote brasileiro, imagino aquele sujeito que vestiu a sua fantasia e saiu às ruas no Carnaval rigorosamente solitário, no máximo na companhia de desajeitados escudeiros catados por acaso em alguma esquina.
Explico. Sempre fui um vigoroso defensor de uma ideia que não tem lá muitos adeptos e que já apresentei alhures: os maiores foliões são os tristes. O Carnaval, definitivamente, não foi feito para os alegres, os festeiros escancarados, as globelezas, os baianos de ocasião, as polianas desvairadas do sonho bom, os colecionadores de abadás que depois da festa serão usados como uniformes de musculação.
O verdadeiro folião - o triste - sabe que a experiência carnavalesca é uma pequena morte. Durante os dias de Momo, a máscara prevalece e todas as inversões sociais são urgentes e necessárias. É quando devemos esquecer o que somos, o que fazemos e, nos casos mais agudos, a quem amamos.
Esquecimento, eis aí a essência da folia. Que se vista o elmo, a malha e a couraça do cavaleiro - um pierrô apaixonado, um desajeitado palhaço ou alguma provisória melindrosa. Que se empunhe a lança e se monte em algum Rocinante que não há. As fanfarras anunciarão, no sassarico da porta da Colombo, o combate de três dias entre o fidalgo e os moinhos.
Esquecimento, eis aí a essência da folia. Que se vista o elmo, a malha e a couraça do cavaleiro - um pierrô apaixonado, um desajeitado palhaço ou alguma provisória melindrosa. Que se empunhe a lança e se monte em algum Rocinante que não há. As fanfarras anunciarão, no sassarico da porta da Colombo, o combate de três dias entre o fidalgo e os moinhos.
O legítimo folião não programa o Carnaval. Sabe apenas que vai para a rua imolar-se nos blocos e cordões, receber a unção dos enfermos com água benta de alto teor alcoólico e morrer até a quarta-feira de cinzas, quando ressuscitará como burocrata, marido, professor ou escriturário, para o longo e medíocre intervalo cotidiano entre um carnaval e outro.
Lembro , por exemplo, de uma história exemplar que meu avô contava sobre um velho folião pernambucano, tristíssimo, casado com uma tremenda jararaca, que saiu na sexta-feira, véspera do início do tríduo, com o argumento de que iria comprar uns caranguejos - prato predileto da patroa - para comer enquanto assistia aos desfiles das escolas de samba pela televisão, na santa paz do lar.
Eis que o marido zeloso reaparece, pra lá de Bagdá, na quarta-feira de cinzas, protagonizando uma cena definitiva. Fantasiado de Nero, espalha vinte caranguejos vivos na entrada da casa e chama a mulher, preparada para trucidá-lo. Ao ver a fera, começa a falar alto, dando esporro nos crustáceos decápodes :
- Mais um pouco, pessoal. Falta pouco. Como são lentos. Quatro dias com a maior paciência e nada de vocês andarem mais rápido.
Entrou , evidentemente, no rolo de pastel, mas honrou os bagos e as tradições. Cumpriu um dever.
É necessário brincar, senhores, é urgente esquecer. O verdadeiro devoto de Momo, o maior dos solitários, é um morto se esbaldando na multidão. Brincar o Carnaval, para um Quixote ao sul do Equador, não é opção. É o juramento de consagração, ao som de quem não chora não mama, do mais leal dos cavaleiros.
Evoé!
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Cerveja é história, civilização e macumba - Luiz Antônio Simas, o mestre!
A cerveja é a prova evidente de que Deus nos ama e nos quer ver felizes (Benjamin Franklin)
Quem sabia das coisas mesmo era Hammurabi, o rei da Babilônia, que viveu em mil setecentos e cacetadas antes de Cristo e Oscar Niemeyer. Ao elaborar um rigoroso código de leis, o Mumu da Babilônia criou uma cacetada de regras sobre um tema de grande relevância para o homem universal - o consumo da cerveja.
Saibam os senhores que o Código de Hammurabi estabelecia, como dever público, a obrigatoriedade do fornecimento diário de cerveja ao povo. Um trabalhador braçal receberia do Estado a cota básica de 2 litros por dia; um funcionário público, 3 litros; os sacerdotes e administradores, 5 litros para o consumo mínimo diário. O Estado se comprometia com o fornecimento dessas modestas cotas. O resto era por conta da sede do cidadão.
Hammurabi também elaborou regras para punir os produtores de cerveja de baixa qualidade. A pena aos responsáveis pela produção da má cerveja era simples e de grande sensibilidade diante do momentoso tema: morte por afogamento.
Já no Egito quem entendia do babado era o faraó Ramsés III, mais conhecido como o cervejeiro. O homem era um copo da maior categoria. Basta dizer que em certa ocasião, ao resolver dar um presentinho aos sacerdotes do Templo de Amón, doou aos cabras 466 mil e tantas ânforas de cerveja provenientes de sua cervejaria particular, pedindo escusas pela modéstia da quantidade ofertada. Isso dá aproximadamente 1.000.000 [um mihão] de litros da bebida. É mole?
Os gregos e romanos, meio afrescalhados e chegados numa viadagem entre filósofos, artistas e rapazolas, preferiam o vinho. A velha cerva, entretanto, continuou sendo a bebida predileta de povos dominados pelos romanos, como os gauleses e germânicos. A elite de Roma achava que cerveja era bebida de bárbaros incultos. Tácito, uma bicha louca, ao descrever os germanos mencionou a cerveja como a bebida horrorosa fermentada de cevada ou trigo.
Entre o povo da curimba, o meu povo, a cerveja é fundamental. Ogum, meu pai, é chegado numa cerveja. Quem quiser agradar ao guerreiro pode colocar uma cervejinha na mata, no caminho ou numa estrada de ferro. Xangô gosta mais de uma cerveja preta - que pode ser colocada numa pedreira ou ao lado de um dendezeiro. Exu gosta de qualquer coisa que tenha álcool - basta colocar a água que o passarinho não bebe na esquina, saudar o compadre e o dia tá garantido.
Sempre me recordo, durante epifanias etílicas, da frase proferida em certa ocasião pelo escritor e meu camarada Alberto Mussa. Em pleno Al-Farábi, o templo cervejeiro da Rua do Rosário, Mussa garantiu que a criação da cerveja é um feito civilizacional no mínimo similar à criação do livro. Maurício, o taberneiro maldito que nos entope de geladas das mais variadas no Alfa, chorou ao ouvir a sentença.
Cada vez entendo mais por que é que o Kalevala - a magnífica epopéia nacional da Finlândia, que conta as façanhas do bardo Vainamoinem e do ferreiroIlmarinen, heróis do povo - tem mais recitativos sobre a origem da cerveja do que sobre a origem do homem. É que sabiam das coisas, aqueles cabras valentes do fim da terra.
É com reverência, enfim, que dedico esse arrazoado aos meus amigos de copo. O homem justo bebe cerveja como quem reza, reza com o fervor amoroso de quem toma umas geladas com os do peito no boteco da esquina e sabe que ninguém faz amizades tomando leite em balcão de padaria.
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A difícil missão de Dilma Rousseff - Arnaldo Jabor
Dilma faz isso, Dilma faz aquilo... Dilma, corta o cabelo! Dilma se maquia mais rosadinha! Dilma você está sem emoção, tem de passar mais verdade... Dilma, seu sorriso não está sincero... Dilma isso, Dilma aquilo..."
(Coitada da pobre senhora que, canhestramente, segue as ordens do patrão e dos petistas que a usam para ficar eternamente em seus buraquinhos ou para realizar o que seria a torta caricatura de um vago socialismo, que não passa de uma reles aliança com a banda podre do PMDB.)
"Dilma, não fale nada de novo sobre aborto que você já deu uma entrevista na TV e agora não adianta desmentir. Dilma, ajoelha, isso, sei que está cansada, mas ajoelha e faz cara de religiosa devota de Nossa Senhora Aparecida; Dilma, eu sei que você é ateia, que para você a religião é o ópio do povo, mas, dane-se, ajoelha e reza, mas não fica com a cara muito em êxtase feito uma madre Teresa de Calcutá, não, que eles desconfiam. Dilma, levanta e vai confessar e comungar, mas não conte tudo ao padre, não, porque esses padres de hoje não são confiáveis e podem fazer panfletos. Dilma isso, Dilma aquilo!... Sei que foi duro para você, bichinha, ser preterida pela Marina, tão magrinha, uma top model do seringal , sabemos de tudo que você tem sofrido, mas você é uma revolucionária e tem de aguentar as intempéries para garantir os empregos de tantos militantes que invadiram esse Estado burguês para "revolucionar" por dentro. Viu, Dilma? Feito ensinou aquele cara italiano, que os comunas vivem falando, o tal de Gramsci... só que nosso Gramsci é o Dirceu.... ah ah... Você tem de esquentar minha cadeira ate 2014, pois você acha que vou ficar de pijama em São Bernardo?"
Aí, chegam os marqueteiros, escondendo sua depressão, pois o segundo turno não estava em seus planos de tomada do poder:
"Dilma, companheira, esculacha bem o FHC e o Serra , pois você pode inventar os números que quiser, porque ninguém confere. Diz aí que nós tiramos 28 milhões de brasileiros da miséria! Claro que é mentira, pô, mas diz e esconde que foi o governo do FHC que inventou o Bolsa Família e negue com todas as forças se disserem que o Plano Real tirou 30 milhões da faixa de pobreza, quando acabou com a inflação. Esqueça no fundo de tua mente que a inflação só ameaçou o Plano Real quando Lula barbudo ia vencer... Mas, quando o Duda escreveu a cartinha do Lulinha "paz e amor", a inflação voltou ao normal.
Dilma, você tem de negar em todos os debates que o PT tentou impedir o Plano Real no STF, assim como não assinou a Constituição de 88 para não compactuar com o "Estado burguês"; todos têm de esquecer que fomos contra a Lei de Responsabilidade Fiscal, que demos força a todos os ladrões que pudemos para manter as alianças para nosso poder eterno, pois as ordens do companheiro Dirceu ("sim, doutor Dirceu, como está? Estamos ensinando aqui à dona Dilma suas recomendações...") eram: atacar tudo do governo FHC, mesmo as coisas inegavelmente boas. Dilma, afirme com fé e indignação que as "privatizações roubaram o patrimônio do povo", mesmo sabendo que a Vale, por exemplo, quando foi privatizada em 97 valia 8 bilhões de reais e que hoje vale 273 bilhões, que seu lucro era de 756 milhões e que agora é de 10 bilhões, que seus empregados eram 11 mil e que agora emprega 40.000. Mesmo sabendo que a Embraer entregava 4 jatos em 97 e que agora entrega 227, que a telefonia não existia na Telebrás e que agora quase todos os brasileiros têm celular. Não podemos divulgar, mas a telefonia privatizada aumentou o número de telefones em 2.500 por cento... Isso. Mas, não diga nada... Pode citar número quanto quiser que ninguém confere... diga que os municípios têm saneamento básico, quando metade deles não tem esgoto nem água tratada, depois de nossos oito anos no poder... Pode dizer o que quiser. Viu o belo exemplo do Gabrielli, que ousou dizer que o FHC queria que a Petrobras morresse de inanição e que o Zylberstajn era a favor da privatização do pré-sal"? Ninguém contesta, mesmo sendo publicado o que FHC escreveu na época, dizendo que "nunca privatizaria a Petrobras". Diga sempre que a culpa é das "elite", que o povão do Bolsa acredita... Dilma, faz isso, faz aquilo... Dilma, sobe no palanque, desce do palanque..."
(Eu acho que Dilma é uma vítima. Uma "tarefeira" do narcisismo de Lula. Agora que Dilma não tem mais certeza de que vai vencer, seu semblante é repassado por uma vaga inquietude. Gente autoritária odeia dúvidas, porque a dúvida não é "de esquerda"; a dúvida é coisa de pequenos burgueses - como dizia Marx: "Pequeno burguês é a contradição encarnada." Lula também odeia dúvidas...Ele fica retumbante quando vitorioso, mas sua cara muda com fracassos. Lembram do seu pior momento, quando explodiu o mensalão?
Agora Lula está deprimido de novo, o PMDB está angustiado, querendo trair, como mostra a cara do candidato a vice-presidente, o mordomo inglês de filme de terror... Lula teme a derrota, como se caísse de volta na linha de pobreza que ele diz que interrompeu. Talvez no fundo, Dilma tema a própria vitória, porque terá de aguentar o PMDB exigindo coisas, Força Sindical, CUT, ladrões absolvidos, renunciados, cassados, novos corruptos no poder, novas Erenices, terá de receber ordens do comissário do povo Dirceu, terá de beijar e gostar do Sarney, Renan, Collor, seus aliados. Vai ter de beijar com delícia o Armadinejad, o beiçudo leão de chácara Chávez, o cocaleiro Evo, com o MST enfiando bonés em sua cabeça, vai ter de aturar as roubalheiras revolucionárias dos fundos de pensão que já mandaram para o Exterior bilhões em contas secretas.
Coitada da Dilma - sendo empurrada com a resignação militante, para cumprir ordens, tarefas, como os militantes rasos que pichavam muros ou distribuíam panfletos. Dilma às vezes dá a impressão de que não quer governar... Ela quer sossego, mas não deixam...
Como é que fazem isso com uma senhora?
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