Já se ouve o esporro das fanfarras. Confete, serpentinas, água de cheiro e outros salamaleques estão em mãos – ou no ar. O furdunço carnavalesco, oficializado em 33 pela prefeitura do Rio de Janeiro, logo teve um monarca escolhido para representar as festividades. O sujeito era gordo e gaiato, explico.
Lendo por aí, descobri que o Rei Momo vem da mitologia grega. Filho do Sono e da Noite, Momo era tão zombeteiro e irreverente, sacaneou tanto os outros deuses, que foi expulso do Olimpo pelo próprio Zeus. Não queria fazer nada de útil senão comer, beber e fazer sacanagem. Foi deportado para a Terra.
Os confetes, muitos, enfeitavam o chão de tacos claros coloridamente. A idéia ingenuamente brilhante de Bebel, profissional da labuta mais antiga da terra, não era apenas a felicidade ascendente de uma noite. Eram provas de que fantasias – ou não - com expectativas diferentes e, de forma alguma pejorativa, podem conviver juntas.
As alegorias, treze ou mais - nesse caso não há melhor palavra para se aplicar - vão além da simples comparação da metáfora. Voltemos.
Papai Noel! – e não é o velho bordão usado para qualquer peripécia sexual, seria ultrajante para o velhinho abstinente – trajava suas botas e cinto preto, roupa devidamente vermelha junto à sacola de presentes. A noite mal começava e ela, isso mesmo, ela, já empunhava, numa mão, seu copo de cerveja e noutra o cigarro entre os dedos sob as luvas até então brancas. Estava quente e mesmo assim, como de hábito, fazia qualquer um sorrir como uma criança rasgando o embrulho do seu presente num dia natalino.
Ao seu lado, bolinhas pretas pingavam esporadicamente sobre o azul de sua roupa em contraste à suas madeixas loiras. Seu short – com um palmo de tecido – delineava seu ganha pão, com til ou não. Carla, nos seus primeiros tempos, já rebolava como uma veterana.
Na mesma ala, Rihanna e Lady Gaga desfilavam juntas. Sabe-se lá qualé a mais libertina. Da primeira, sobressaiam as ombreiras. Volta e outra, quando seu maiô branco era alavancado para cima, a famosa pata de camelo mancava pela avenida. Da segunda... Bem, semi-nua, envolta apenas por um metro e quinze de fita amarela e preta, daquelas na qual se cercam obras condenadas, Lady fumava sabendo que, além da lisergia, a cannabis lhe deixava com um tesão da porra.
Por falar em tesão, o baseado humano dava o ar de sua graça. Explico caros leitores.
Eis que a porta se abre. Engessada pela seda, a pobre coitada mal conseguia andar. E era sempre requisitada pelos aficionados. De pé, de lado, deitada... Em qualquer posição, com muito fogo, carburava dos pés a cabeça.
Nesse caso, vício e necessidade fisiológica se confundem. Na hierarquia das necessidades, antes da maconha, seu vício mesmo era fazer sexo. Janis Joplin se esbaldava.
A tanorexia – quase um palavrão proferido pela pura Dercy - pode definir-se como a obsessão por exibir, de forma constante, um tom de pele moreno. Para conseguir a tão desejada tonalidade, recorre-se a banhos de sol prolongadíssimos regados, como disse certa vez, a urucum diluído em suco de limão. Jesus tatuado no antebraço e uma barba milimetricamente feita o faziam, de fato, existir. Da zona oeste ou região serrana, como preferirem, o Muleque gostava de qualquer buraco.
Vinda das mesmas bandas, a Mucama estranhamente caucasiana dos olhos claros, tinha muitos embaraços sobre seus afazeres domésticos. Não sabia se bebia às escuras os vinhos do patrão, tirava a poeira dos brinquedos dele ou se pedia mesmo alforria. No final da festa, optou pelo pelo primeiro, depois o último.
As alegorias não queriam fazer nada de útil senão comer, beber e fazer sacatragens. Momo estava bem representado e ainda era dezembro.
A quizumba está armada. É carnaval.
Lendo por aí, descobri que o Rei Momo vem da mitologia grega. Filho do Sono e da Noite, Momo era tão zombeteiro e irreverente, sacaneou tanto os outros deuses, que foi expulso do Olimpo pelo próprio Zeus. Não queria fazer nada de útil senão comer, beber e fazer sacanagem. Foi deportado para a Terra.
Os confetes, muitos, enfeitavam o chão de tacos claros coloridamente. A idéia ingenuamente brilhante de Bebel, profissional da labuta mais antiga da terra, não era apenas a felicidade ascendente de uma noite. Eram provas de que fantasias – ou não - com expectativas diferentes e, de forma alguma pejorativa, podem conviver juntas.
As alegorias, treze ou mais - nesse caso não há melhor palavra para se aplicar - vão além da simples comparação da metáfora. Voltemos.
Papai Noel! – e não é o velho bordão usado para qualquer peripécia sexual, seria ultrajante para o velhinho abstinente – trajava suas botas e cinto preto, roupa devidamente vermelha junto à sacola de presentes. A noite mal começava e ela, isso mesmo, ela, já empunhava, numa mão, seu copo de cerveja e noutra o cigarro entre os dedos sob as luvas até então brancas. Estava quente e mesmo assim, como de hábito, fazia qualquer um sorrir como uma criança rasgando o embrulho do seu presente num dia natalino.
Ao seu lado, bolinhas pretas pingavam esporadicamente sobre o azul de sua roupa em contraste à suas madeixas loiras. Seu short – com um palmo de tecido – delineava seu ganha pão, com til ou não. Carla, nos seus primeiros tempos, já rebolava como uma veterana.
Na mesma ala, Rihanna e Lady Gaga desfilavam juntas. Sabe-se lá qualé a mais libertina. Da primeira, sobressaiam as ombreiras. Volta e outra, quando seu maiô branco era alavancado para cima, a famosa pata de camelo mancava pela avenida. Da segunda... Bem, semi-nua, envolta apenas por um metro e quinze de fita amarela e preta, daquelas na qual se cercam obras condenadas, Lady fumava sabendo que, além da lisergia, a cannabis lhe deixava com um tesão da porra.
Por falar em tesão, o baseado humano dava o ar de sua graça. Explico caros leitores.
Eis que a porta se abre. Engessada pela seda, a pobre coitada mal conseguia andar. E era sempre requisitada pelos aficionados. De pé, de lado, deitada... Em qualquer posição, com muito fogo, carburava dos pés a cabeça.
Nesse caso, vício e necessidade fisiológica se confundem. Na hierarquia das necessidades, antes da maconha, seu vício mesmo era fazer sexo. Janis Joplin se esbaldava.
A tanorexia – quase um palavrão proferido pela pura Dercy - pode definir-se como a obsessão por exibir, de forma constante, um tom de pele moreno. Para conseguir a tão desejada tonalidade, recorre-se a banhos de sol prolongadíssimos regados, como disse certa vez, a urucum diluído em suco de limão. Jesus tatuado no antebraço e uma barba milimetricamente feita o faziam, de fato, existir. Da zona oeste ou região serrana, como preferirem, o Muleque gostava de qualquer buraco.
Vinda das mesmas bandas, a Mucama estranhamente caucasiana dos olhos claros, tinha muitos embaraços sobre seus afazeres domésticos. Não sabia se bebia às escuras os vinhos do patrão, tirava a poeira dos brinquedos dele ou se pedia mesmo alforria. No final da festa, optou pelo pelo primeiro, depois o último.
As alegorias não queriam fazer nada de útil senão comer, beber e fazer sacatragens. Momo estava bem representado e ainda era dezembro.
A quizumba está armada. É carnaval.